A cirurgia de revascularização do miocárdio tem um efeito positivo e benéfico em portadores de angina não-responsiva à tratamento clínico, mesmo quando há lesão coronária de uma única artéria; há, comprovadamente, um prolonga-mento da vida em pacientes com lesão de tronco de coronária esquerda e em pacientes com lesão de 3 vasos que são revascularizados cirurgicamente; o efeito benéfico é mais pronunciado em pacientes portadores de disfunção ventricular(diminuição da força de contração do coração) ou de isquemia de surgimento aos pequenos esforços. A melhora dos sintomas isquêmicos é conseguida em 80 a 90% dos pacientes. O uso da artéria mamária interna está associado a um índice de patência de 90 % após 10 anos, se comparado com à veia safena (patência de 40% em 10 anos). O risco da cirurgia de revascularização do miocárdio inclui uma mortalidade operatória de 1 a 4% (em pacientes sem disfunção ventricular expressiva) e de infarto transoperatório(infarto durante a cirurgia) de 5 a 10%. Aproximadamente 15 a 20% dos enxertos fecham no primeiro ano; nos próximos 5 anos, a porcentagem de oclusão é de 2% ao ano, e subsequentemente, 4% ocluem ao ano. Em pacientes com angina muito grave ou isquemia que surge aos mínimos esforços, a cirurgia de revascularização do miocárdio pode estar indicada até mesmo em casos em que não haja doença trivascular( três vasos do coração).
FATORES QUE INFLUENCIAM A SOBREVIDA APÓS CIRURGIA DE REVASCULARIZAÇÃO DO MIOCÁRDIO
1. Função ventricular
2. Sexo
A mortalidade na cirurgia coronária tem se mostrado historicamente mais alta em mulheres. Verifica-se que a mortalidade mais alta no sexo feminino está mais associada com a ocorrência de diabetes mellitus do que com qualquer outro fator. O diabetes, por sua vez, também é mais prevalente em mulheres. A recorrência da angina é maior nas mulheres do que nos homens, indicando uma possível maior oclusão de enxertos no sexo feminino no pós-operatório.
3. Idade
A cirurgia em pacientes de mais de 80 anos apresenta-se com um índice de sobrevida hospitalar de 86 a 94%, com uma sobrevida atuarial de 62 a 82% após passados 5 anos da operação. Este é um dado importante, se levarmos em consideração o aumento continuado dos custos médicos e os possíveis benefícios advindos deste tratamento.
4. Insuficiência renal
Pacientes portadores de angina em repouso e insuficiência renal apresentam uma mortalidade hospitalar na cirurgia de revascularização miocárdica de 9%. Não obstante este bom resultado imediato, verifica-se que a sobrevida destes pacientes é de apenas 45% a 65% em 2 anos. Nos sobreviventes, há uma significativa melhora dos sintomas e em sua classe funcional. Uma opção recente para estes pacientes tem sido a realização de revascularização miocárdica sem circulação extracorpórea.
5. Outras patologias vasculares
